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Ficha de Marca, passo a passo

Oito passos para sair de brandbooks soltos no Canva e chegar aos 25 clientes com a marca no mesmo formato. O que é cada bloco e o exemplo preenchido estão na página da ficha.

Antes de começar

Entenda o que você vai construir

Dez minutos de leitura evitam refazer as 25 fichas depois.

Primeiro, separar três coisas que parecem iguais

Boa parte da dificuldade de padronizar vem daqui: tratar todo cliente como se fosse criar a marca dele do zero. Não é. São três trabalhos diferentes, com tamanho, prazo e preço diferentes.

BrandingBrandbookFicha de marca
O que éCriar ou reposicionar a marca: estratégia, nome, posicionamento, personalidade e identidade visualO manual que documenta a marca pronta, normalmente um PDF desenhadoA versão operacional do manual: os mesmos 8 blocos, em texto, para todo cliente
Pergunta que respondeQuem essa marca deve ser?Como essa marca deve ser aplicada?O que preciso saber para produzir hoje sem inventar?
Quando se fazMarca nova, rebrand, fusão, mudança de públicoDepois que o branding terminaTodo cliente que entra na produção
Quem fazEstrategista e designer, com pesquisa e muitas rodadas com o clienteDesignerA equipe da agência, com o Claude
TempoSemanas ou mesesDias15 a 45 minutos de conversa + 20 de preenchimento
Muda a marca do cliente?SimNão, registraNão, registra
Para a ConexãoProjeto vendido à parte (é o nível 3)Opcional, sai da ficha se o cliente quiserRotina, para os 25

Na prática: o cliente chegou só com o logo e sem budget para rebrand? Não é branding, é ficha. A agência não decide quem a marca deve ser; ela registra quem a marca já é, para produzir com consistência.

O sinal de que virou branding: o cliente não sabe responder quem é, quer trocar o logo, mudou de público ou tem nome que não pode registrar. Aí para a ficha, anota em Pendências e oferece o projeto de branding separado, com preço próprio. (A criação de marca segue o ciclo de José Roberto Martins: posicionamento, nome, identidade, gestão.)

O que é um brandbook

É o manual de uso da marca: o documento que diz como a marca aparece e como ela fala, para que qualquer pessoa produza do mesmo jeito.

O logo não é a marca. Marca é o que o cliente sente e diz sobre a empresa. O logo é só o sinal que representa isso. (Marty Neumeier, O Abismo da Marca)

A marca tem duas metades: o que se vê (logo, cor, fonte, foto) e o que não se vê (promessa, personalidade, jeito de falar). Um brandbook que só tem logo, cor e fonte cobre metade da marca. (José Roberto Martins, Branding: O Manual)

Por isso a ordem é essência primeiro e visual depois. A cor e a fonte são escolhidas para combinar com a personalidade, e não por gosto de quem está produzindo.

Por que "ficha" e não "brandbook"

Brandbook costuma ser um projeto de design: bonito, longo, cada um num formato. É por isso que não dá para padronizar. A ficha é o mesmo formulário de 8 blocos para todo cliente, em texto, que a IA consegue ler e o designer consegue aplicar. Se um dia o cliente quiser o PDF bonito, ele sai da ficha, e não o contrário.

A ficha resolve um problema de operação, não de estética. Hoje a marca de cada cliente está na cabeça de quem produz. Com prestadores que entram e saem, cada troca é recomeço, a IA precisa de explicação a cada peça e a refação depende do gosto do dia. Com a ficha, o conhecimento fica na agência.

Os 8 blocos da ficha

BlocoO que éPara que serve
1. EssênciaO que a marca faz, para quem, e 3 adjetivosÉ a base de tudo. Sem ela, cor e texto viram gosto
2. Tom de vozComo fala, frases da marca e palavras proibidasTudo soa como a mesma pessoa, seja quem for que escreva
3. PaletaCores em hex e onde cada uma pode irO público reconhece a cor antes de ler o nome
4. TipografiaFonte de título e fonte de textoNinguém escolhe fonte diferente a cada post
5. LogoOs arquivos certos para cada fundoAcaba com logo pixelado, com fundo branco ou esticado
6. AplicaçõesA regra da marca em cada formato"Usa logo?" é decidido uma vez só, não em todo post
7. FotoDe onde vêm as imagens e o limite da IANada de foto genérica de banco nem de produto inventado
8. Instrução para a IAA ficha resumida num parágrafoO Claude e o Canva produzem na marca sem precisar explicar tudo de novo

Exemplo preenchido com a Avantys: página da ficha.

Os 3 níveis

Os níveis não medem se a ficha é boa. Medem quanto de marca cada cliente precisa para a agência produzir sem chutar. Um cliente B que recebe 8 posts por mês não precisa de regra de impresso, e fazer ficha completa para ele é esforço que o contrato não paga.

  • Nível 1 · Mínimo para produzir: o suficiente para fazer um post hoje sem inventar. Vale para todos.
  • Nível 2 · Marca completa: qualquer prestador faz qualquer formato, inclusive anúncio e WhatsApp. Vale para a carteira A.
  • Nível 3 · Plataforma de marca: posicionamento contra concorrentes, pontos de contato e teste com clientes reais. É projeto de branding vendido à parte, não entra na rotina.

Quando o cliente só tem o logo (o caso normal)

Não é problema, é o ponto de partida. Do logo saem as cores e o estilo da fonte, que é metade do visual. A outra metade sai de uma conversa de 15 minutos com o dono. O que ele não souber responder vai para Pendências. O erro é deixar a IA inventar uma identidade inteira a partir de um logo, e é exatamente isso que faz cada brandbook sair diferente.

Um restaurante de família e uma oficina de performance podem ter o mesmo azul no logo e pedir foto, texto e fonte opostos. É a personalidade que decide o que o logo sozinho não decide. (Mark e Pearson, O Herói e o Fora-da-Lei)

As 3 regras que não mudam

  1. Uma versão oficial. A ficha no Drive vale. O Canva é onde se produz e o Trello só guarda o link.
  2. Não inventar. O que falta vai para Pendências, e enquanto tiver pendência o status é rascunho.
  3. Mudou a marca, muda a ficha primeiro. Com data.
Passo 0 · uma vez só · 30 min

Preparar a casa

FredSamara
Por que este passo existe

Sem dono, a ficha é feita uma vez e esquecida. Decidir quem pergunta, quem preenche e quem aprova é o que transforma a ficha num processo da agência, e não num esforço de uma pessoa só. Colocar as perguntas no briefing de entrada garante que o problema não volta com cliente novo.

Erro comum: pular a divisão de papéis porque "a gente se entende". Aí tudo volta para o Fred.

  • Baixar o molde da ficha e salvar em templates/ no Drive
  • Decidir quem faz o quê e escrever no topo do quadro de controle:
    PapelSugestão
    Conduz a conversa com o cliente e preencheSamara
    Confere cor, fonte, logo e fotoLéo
    Aprova e apresenta ao clienteFred
  • Criar o quadro de controle (planilha, Notion ou o que usarem) com as colunas do passo 8
  • Acrescentar as 8 perguntas do passo 3 ao briefing de entrada. Todo cliente novo já chega com elas respondidas
Baixar o molde da ficha (.md)
Passo 1 · 20 min para os 25

Classificar os clientes

Nem todo cliente precisa do mesmo esforço. O nível acompanha a carteira.

Por que este passo existe

Tratar os 25 clientes igual faz o trabalho parecer infinito e ninguém começa. Separar por carteira mostra que a maioria só precisa do nível 1, que é rápido. Começar pelos clientes A que mais produzem peça dá o maior retorno logo na primeira semana.

Erro comum: começar pelo cliente mais fácil ou pelo mais bagunçado. Comece por onde mais peça sai.

NívelPara quemPergunta que responde
1 · Mínimo para produzirOs 25 clientesDá para fazer um post hoje sem inventar?
2 · Marca completaCarteira AQualquer prestador faz qualquer formato, inclusive anúncio?
3 · Plataforma de marcaSó quem contratarA marca tem posição própria e alguém cuidando dela? É projeto de branding, com preço próprio
  • Listar os 25 no quadro com carteira (A ou B) e nível-alvo
  • Escolher a ordem: primeiro os 3 clientes A que mais produzem peça
Passo 2 · 10 min por cliente

Juntar o que já existe

Antes de perguntar qualquer coisa ao cliente, aproveitar o que a agência já tem.

Por que este passo existe

O cliente já respondeu muita coisa sem perceber: o que ele aprovou e o que pediu para refazer diz mais que qualquer questionário. Juntar o material antes evita perguntar o que a agência já sabe, e o cliente sente que vocês o conhecem.

Erro comum: mandar o questionário antes de olhar o próprio histórico. O cliente acha que vocês não prestaram atenção.

  • Criar a pasta clientes/<cliente>/marca/ com logo/ e fotos/
  • Copiar o molde para a pasta como ficha-de-marca.md
  • Salvar o logo em logo/, de preferência PNG sem fundo, nas versões clara e escura
  • Exportar o brandbook do Canva em PDF (se existir) e salvar na pasta marca/
  • Salvar 3 a 5 posts publicados que o cliente aprovou e 1 que ele pediu para refazer
Cliente só tem o logo em JPG com fundo branco? Normal. Anota em Pendências "pedir logo original" e segue.
Passo 3 · 15 min (nível 1) ou 45 min (nível 2)

Perguntar ao cliente

Pergunte o que o dono sabe, não o que o designer sabe. Ninguém responde "qual é o seu arquétipo", mas todo mundo sabe dizer como o melhor cliente descreve a empresa.

Por que este passo existe

A parte invisível da marca (essência, personalidade, tom) só o dono sabe. As perguntas foram escritas em linguagem de dono, não de designer: ninguém responde "qual é o seu arquétipo", mas todo mundo sabe dizer como o melhor cliente descreve a empresa. As respostas viram o posicionamento e o tom.

Erro comum: transformar em reunião longa de branding para cliente B. Para o nível 1, WhatsApp resolve.

Nível 1 · pode ir por WhatsApp, formulário ou call curta

1. Em uma frase, o que vocês fazem e para quem?
2. Por que um cliente escolhe vocês e não o concorrente do lado?
3. Como seu melhor cliente descreveria a empresa, em três palavras?
4. Se a marca fosse uma pessoa, como ela falaria: formal, próxima, divertida ou técnica?
5. Tem alguma palavra, assunto ou estilo que vocês NÃO querem ver no Instagram de vocês?
6. Vocês têm o logo em arquivo original (PNG sem fundo, PDF ou vetor)? Quem fez?
7. Já usam cores ou fontes na fachada, no cardápio, no uniforme ou na embalagem? Quais?
8. Têm fotos próprias do espaço, da equipe ou dos produtos que podemos usar?

Nível 2 · reunião de 45 min, só carteira A

1. Qual concorrente vocês admiram? E com qual não querem parecer de jeito nenhum? Por quê?
2. Que tipo de cliente vocês NÃO querem atrair?
3. O que o cliente sente quando sai daqui? E do que ele reclama?
4. Qual post de vocês deu mais certo? Qual vocês apagariam?
5. Onde mais o cliente encontra a marca além do Instagram: WhatsApp, balcão, entrega, Google?
6. Quem aprova o que sai? O que costuma fazer vocês pedirem para refazer?
A pergunta 6 é a mais valiosa. O motivo de refação é justamente a regra que está faltando na ficha.
Passo 4 · 20 min por cliente

Preencher com o Claude

O Claude organiza, e quem decide é você. Abra o Claude Code na pasta da agência e cole o pedido abaixo.

Por que este passo existe

O Claude é rápido para organizar material bagunçado e tirar o hex de um logo, mas tende a completar lacunas com o que parece bonito. O pedido pronto proíbe isso: tudo que não veio do cliente vai para Pendências. É assim que 25 fichas saem no mesmo formato e sem invenção.

Erro comum: aceitar a ficha que a IA devolve sem ler. A ficha bonita e inventada é pior que a ficha com pendências.

Leia tudo que está em clientes/[CLIENTE]/marca/ (logo, PDF, posts salvos) e as respostas do cliente abaixo.
Preencha clientes/[CLIENTE]/marca/ficha-de-marca.md seguindo o molde, até o nível [1 ou 2].

Regras:
- Use só o que está no material e nas respostas. Não invente cor, fonte, frase nem posicionamento.
- Cores: extraia o hex do logo e diga de qual arquivo tirou.
- Fonte: se não der para identificar com certeza, escreva "a confirmar" e mande para Pendências.
- Tudo que faltar ou que você deduziu vai para Pendências, com a pergunta que devemos fazer ao cliente.
- No bloco 8, escreva a instrução para IA em um parágrafo só.
- Deixe o status como "rascunho".

Respostas do cliente:
[COLAR AQUI]
Passo 5 · 10 min

Validar

Por que este passo existe

A ficha vai ser usada por gente e por IA. O designer confere o que é técnico (hex, fonte, arquivo) e quem conversou com o cliente confere o sentido. O teste do card mostra na prática se a ficha é suficiente: se a IA acerta só com ela, está pronta.

Erro comum: validar só lendo. Gere a peça de teste, porque é ali que aparece o que faltou.

Quem preencheu confere campo a campo

  • Tem alguma frase que serviria para qualquer concorrente? Se sim, está genérica e volta para Pendências
  • Algo foi deduzido pela IA e não dito pelo cliente? Vira pergunta para o cliente

O designer confere o visual

  • Os hex batem com o logo de verdade?
  • A fonte está certa e existe no Canva?
  • Os arquivos de logo abrem sem fundo branco?

O teste que decide

  • Peça ao Claude um card usando só a ficha. Se parecer do cliente, a ficha funciona. Se não parecer, o que faltou é a próxima pendência
Passo 6 · 10 min, junto com a aprovação de peças

Travar com o cliente

Por que este passo existe

Ficha que o cliente não viu é opinião da agência. Quando ele diz "isso somos nós", a ficha passa a ser o critério de aprovação, e a discussão de refação muda de "não gostei" para "está fora da ficha" ou "a ficha precisa mudar". Ainda por cima, vira um entregável que mostra método.

Erro comum: mandar o arquivo inteiro para o cliente ler. Mostre o resumo em 5 minutos, na call de aprovação.

  • Mostrar ao cliente só o resumo: essência, 3 frases, cores, fontes e a regra do logo. Não mandar o arquivo inteiro
  • Perguntar: "Isso é vocês? Tem algo aqui que vocês nunca diriam?"
  • Ajustou? Mudar status para travado, pôr a data e registrar no quadro
Isso é entregável. Muito cliente nunca teve nem isso, e ele passa a ver método na Conexão.
Passo 7 · toda peça, a partir de agora

Usar de verdade

Por que este passo existe

A ficha só vale se entrar no dia a dia. Quando toda peça começa pela ficha, a qualidade deixa de depender de quem fez, e a refação passa a mostrar onde está o problema: na ficha ou no processo.

Erro comum: guardar a ficha travada e voltar a produzir de memória. Em um mês ela está desatualizada e ninguém confia.

  • Antes de qualquer peça, o Claude lê a ficha: Leia clientes/[CLIENTE]/marca/ficha-de-marca.md antes de criar.
  • No Canva, colar a instrução do bloco 8
  • Prestador novo (designer, social) recebe a ficha antes do primeiro job
  • Cliente pediu refação? Olhar a ficha: se a peça seguiu a ficha, a ficha é que precisa mudar. Se não seguiu, o problema é de processo
Passo 8 · 15 min por semana

Manter

Por que este passo existe

Marca muda: logo novo, nova unidade, nova linha de produto. Sem revisão, a ficha envelhece e volta o problema de antes. O quadro deixa visível quem está pronto e o que está travado, e a conferência de 2 posts por encontro mostra se o padrão está sendo seguido de verdade.

Erro comum: olhar o quadro só quando dá problema. 15 minutos fixos por semana custam menos que uma refação.

Quadro de controle

ClienteCarteiraNível-alvoNível atualStatusPendênciasAtualizada em
ExemploA21rascunhologo original, fonte16/09
  • Toda semana: olhar o quadro e cobrar as pendências dos clientes
  • Mudou algo na marca (logo novo, nova linha, nova unidade)? Muda a ficha primeiro e a data
  • A cada encontro com a Avantys: escolher 2 posts publicados e comparar com a ficha
Metas

O ritmo combinado

QuandoO que precisa estar pronto
Próxima aula3 fichas nível 1 de clientes A, travadas
30 diasOs 25 clientes no nível 1
60 diasCarteira A no nível 2 e nenhum cliente novo começando sem ficha
Travou em algum passo? Anote qual foi e o motivo. É a pauta do próximo encontro.